2 de jul de 2012

Roubo e furto de carros antigos - STREET CUSTOMS

A maxivalorização dos carros antigos e de suas peças já despertou a ação dos “amigos do alheio”, cuja ação nefasta pode ser evitada com medidas simples e objetivas

Por: Rogério Ferraresi
Fotos: Arquivo

Matéria originalmente publicada em Rod & Custom n° 20. Complete a sua coleção: http://www.lojastreetcustoms.com.br/revistas.html

No ano passado João Vítor Momesso, de Itapira, SP, decidiu visitar o Encontro Paulista de Autos Antigos, realizado em Lindóia, SP, dirigindo-se ao mesmo com seu carro antigo, um imaculado Ford Landau 1970. Satisfeito com o evento, deixou a praça Adhemar de Barros por volta das 20:00, voltando, então, para pegar seu veículo e retornar para casa. Ou, pelo menos, era essa a sua intenção: chegando ao local, consternado, percebeu que o Landau já não estava mais na devida vaga, pois havia sumido sem deixar vestígios. João, a contra gosto, acabara de entrar para um “clube” indesejável: o seleto grupo de pessoas cujos carros antigos foram furtados ou roubados.
“Quando chegou a policia, meu pai foi fazer o B.O. e eu fui atrás dos organizadores do evento. Pedi apenas para anunciarem o ocorrido, mas isso não aconteceu. Voltei no dia seguinte para saber se havia alguma novidade e avisar pessoalmente os amigos quanto ao fato, também o fazendo no tocante a redes sociais, como Orkut, Mercado Livre e assemelhados. Acho que houve medo de manchar a imagem do evento e não sei se fui vitima de fatalidade ou encomenda, mas estou certo de que estão se tornado cada vez mais constantes os roubos de carros antigos", finalizou nosso leitor.
E João está certo: esta "especialização" criminal cresce a cada ano, fato que pode ser observado através das dezenas de e-mails que, todos os meses, são enviados para a redação de Rod & Custom avisando sobre tais ocorrências. E o pior: motivos para tanto não faltam, tendo em vista a tremenda valorização (mesmo que ilusória) que os veículos vêm sofrendo na atualidade. Assim, caso o próprio meio antigomobilista não tome as medidas necessárias para minimizar a ação dos “amigos do alheio”, a situação vai se agravar de tal ponto que afugentará novos entusiastas, estagnando o mercado e causando prejuízos a todos que dele (ainda) vivem .

Mas não são apenas os carros que estão em perigo: as peças avulsas também estão na mira dos criminosos que, de um modo geral, ao roubarem um veículo inteiro, o fazem tendo em vista o lucro obtido com a venda de seus componentes. Assim, não é de estranhar o registro de casos cujo objetivo é subtrair itens mecânicos e de acabamento de oficinas, garagens e assemelhados. Um dos exemplos mais recentes de tal realidade foi o caso de Carlos Guilherme Torralbo Chachá, leitor de Jundiaí, SP. Carlos, que é diretor do Galaxie Clube do Brasil, teve o galpão em que guardava dois de seus carros, um Ford Galaxie 500 1967 e uma pick-up Chevrolet C-14 1964, arrombado em 31 de março último.

Os veículos estavam em restauração e, entre os itens furtados, os ladrões levaram calotas, retrovisores, limpadores de parabrisa, molduras de faróis, manivelas, mira de capô, maçanetas, aros de buzina e antena. Também pretendiam levar as rodas (os veículos foram suspensos com macacos), mas se evadiram do local antes de consumar o ato. “Divulguei o fato na internet solicitando que todos os amigos antigomobilistas tomassem cuidado com suas preciosidades, deixando-as em local bem guardado. Também pedi ajuda para difundir a notícia do ocorrido e localizar o que foi levado, além de fazer um apelo para que as pessoas não alimentem o comércio de peças roubadas. Tenho fé que vou encontrar minhas peças”, explicou Carlos.



O problema apresentado nesses dois exemplos é muito sério. Carro antigos, originais ou customizados, não são como os veículos modernos, novos ou semi novos pois, devido a diversos motivos (estado, modelo, etc) não existe, no Brasil, uma tabela para eles e tão pouco empresas que façam seguro para os mesmos. Esta situação, é claro, deve mudar com o passar do tempo, mas o que fazer até lá? Uma boa opção é, sem sombra de dúvidas, contratar o serviço de rastreamento, que não impede o roubo ou o furto, mas colabora com a localização do veículo. Por meio da tecnologia de localização via GPS (Global Positioning System), o rastreamento permite que o carro possa ser monitorado em tempo real e com grande precisão.
O sistema conta com vários satélites na órbita da Terra, que emitem simultaneamente sinais de radiofreqüência, permitindo avaliar a posição do veículo no globo terrestre. Normalmente é utilizada a tecnologia GSM (Global System for Móbile Communication) e GPRS (General Packet Radio Service). Algumas empresas, inclusive, oferecem o serviço de monitorar determinada rota, e, caso o veículo saia do percurso, o proprietário é comunicado através do celular ou da internet, algo interessante, considerando que muitos carros são levados com o uso de plataformas.
O rastreamento funciona em conjunto com os localizadores, que utilizam tecnologias de transmissão e recepção por radiofrequência, através de infraestruturas de antenas espalhadas pelas cidades. Fazem uso das antigas redes de "pagers", sistemas irradiantes próprios ou compartilhados com a infraestrutura celular, razão pela qual a área de cobertura desse serviço é limitada. Eles bloqueiam o veículo e identificam a região na qual isso ocorreu. Geralmente isso é feito através da interpolação de sinais das antenas, o que não garante a localização exata do veículo, mas indica apenas a região onde o veículo está.

Existem ainda os bloqueadores, que permitem o envio de comandos de paralização ao veículo. São baseados em uma comunicação unidirecional via radiofreqüência que, por exemplo, podem utilizar sinais de freqüência modulada, além de outras tecnologias. Assim, quando a empresa que faz o monitoramento recebe o aviso da ocorrência, a central 24 horas envia o sinal para as estações de comando que, por sua vez, enviam o sinal que bloqueia o motor de partida. Algumas empresas oferecem um “botão de assistência” que, acionado pelo proprietário ao “entregar” seu veículo, informa a central de atendimento sobre a ocorrência. Clientes de donos de carros novos, quando optam pelo emprego de rastreadores e localizadores, costumam obter de 10% a 25% de desconto na apólice de seus veículos. Como as seguradoras nunca perdem em uma negociação, conclui-se que o serviço é realmente eficaz, caracterizando-se uma excelente solução para os donos de hot rods e carros antigos.
Outra possibilidade, que já está se popularizando no Brasil, é a gravação do número do chassi, em baixo relevo, com ferramenta guiada por computador, nas diversas peças do carro. Trata-se da evolução do serviço de gravação de números de chassi nos vidros, que se tornou muito popular nos anos 80, mas que era falho, pois bastava quebrar os vidros para inviabilizar a iniciativa. A gravação atual, que pode ser feita em diversas peças metálicas com valor econômico (motor, câmbio, diferencial, capô, tampa do porta malas, rodas, etc), gera a rastreabilidade do veículo, tornando este desinteressante para os criminosos. Um serviço igualmente interessante é a aplicação de milhares de micropontos (uma espécie de pintura resistente) em um ponto específico da peça, com combinação específica para cada veículo. O uso de ambos os serviços também viabilizam descontos nas apólices das seguradoras.

Por fim, existem medidas mais simples, como o emprego de travas de combustível, de alavanca de câmbio (no assoalho), dos pedais e da direção. O tradicional corta corrente, instalado no local de um comando original (faróis, pisca alerta, etc) também pode ser usado, bem como os volantes anti furto. Alguns chegam ao ponto de alterar a localização do contato de partida (deixando um contato falso no alojamento do mesmo) e cortar a alavanca de câmbio em sua base, soldando uma porca de um lado e um parafuso no outro, de modo a retirar a mesma ao estacionar o carro.

Algo que talvez poucos antigomobilistas imaginem é que eles próprios podem ser, passivamente, os grandes responsáveis pelos lucros dos criminosos. Afinal, as peças utilizadas na restauração de um carro original ou na montagem de um hot rod são, na maioria dos casos, itens usados. Entretanto, justiça seja feita: peça usada não é, necessariamente, sinônimo de procedência duvidosa. Afinal, o erro está em adquirir a mercadoria sem solicitar um comprovante de compra, algo que ninguém, de um modo geral, exige do vendedor, seja ele desconhecido ou não.
Naturalmente, por se tratarem de peças desmanchadas de outros veículos, retiradas dos próprios ou adquiridas informalmente em lotes (inclusive por intermédio de trocas) não é possível, na maioria dos casos, exigir, por exemplo, uma nota fiscal, embora esta fosse a medida ideal, tanto para moralizar o mercado quanto para salvaguardar os direitos do comprador. E também a imagem dos bons comerciantes que, se não tiverem a possibilidade de tirar a citada nota, certamente não se furtarão a entregar um comprovante, com nome, endereço e telefone impresso, no qual conste a descrição dos itens vendidos e seu valor.

Medida simples e objetiva, além de demonstrar a seriedade do vendedor, este tipo de documento, mesmo que informal, serviria como certificado de procedência e garantia para o cliente, que poderia trocar o item, no caso de compra errada, ou obter um crédito no mesmo valor. Tudo isso sem contar que, agindo desse modo, o comprador se protegeria contra uma possível acusação de receptação de mercadorias roubadas, além de colaborar com a sua própria segurança, diminuindo a possibilidade de perder seu carro e, pior ainda, no caso de roubo, colocar em risco a sua integridade física e de seus familiares. E se você tiver a infelicidade de ser rendido por um indivíduo armado, não pense duas vezes: entregue o veículo. Sua vida vale mais que os bens materiais.
E fica o alerta: cuidado com os desconhecidos! Vários são os relatos de pessoas que tem seus carros furtados, ao saírem de encontros de carros antigos, após travarem contato com alguém que, elogiando muito o veículo, pede para olhar o carro detalhadamente. Algumas vezes, inclusive, esses “amigos do alheio” chegam ao ponto de perguntar para o proprietário, de modo cândido, como o mesmo faz para evitar que seu veículo seja roubado, descobrindo assim todos os recursos anti furto nele existentes. Esteja preparado se um deles cruzar o seu caminho.

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